22 de mar de 2015

Resenha: Quando Nietzsche chorou

Título: Quando Nietzsche chorou
Autor: Irvin D. Yalom
Nº de Páginas: 412
Editora: Ediouro

Olá, queridos! Hoje venho falar um pouquinho sobre um dos meus livros preferidos. Trata-se a magnum opus de Irvin D. Yalom, o psiquiatra escritor. O cara é incrível, apesar de neeem tão conhecido assim. 

Quando Nietzsche chorou é um romance parcialmente fictício, onde Yalom relata vários fatos reais sobre o filósofo e o coadjuvante não menos importante, Dr. Josef Breuer. Há ainda o amigo e apóstolo de Breuer, o jovem e ainda desconhecido Sigmund Freud. Porém, Yalom coloca encontros e conversas na trama que não ocorreram na vida real (pelo menos, não há registros). Mesmo irreais, os diálogos e enredo dessa obra são indescritível em muitos níveis. Yalom teve o poder de falar sobre Medicina, Psicologia, Psiquiatria, Filosofia e amor com extrema maestria. 

O romance se passa em Viena, onde Breuer era um médico renomado, um dos (senão o melhor) da época. Dedica-se muito a sua profissão, chegando a deixar sua família um pouco de lado para estudar e tratar seus pacientes. Breuer dedicava-se quase que exclusivamente a uma paciente chamada Bertha, mas que ele preferia chamar de Anna O. para que ela não fosse identificada. Acontece que Breuer, cada vez mais interessado no caso de histeria de Bertha/Anna, cada vez mais próximo a ela, acaba se apaixonando pela paciente. Sua mulher, irada, ordena que ele a encaminhe para outro médico, e Breuer, apaixonado, mas sensato, obedece. Temos então um médico levemente deprimido, ok.

Aparece na trama uma beldade chamada Lou Salomé, que ouviu falar sobre os dotes (profissionais) de Breuer. Ela lhe pede um favor um tanto esquisito para ele: que ele trate seu amigo, que sofre de terríveis enxaquecas, mas sua dor vai muito além disso: um coração partido. O paciente era extremamente teimoso, orgulhoso, sensível e genial: nosso querido Nietzsche. Breuer exita, mas fica intrigado e aceita o desafio.

Breuer, porém, deveria tratar Nietzsche sem que ele soubesse a real finalidade. Ele deveria pensar que era apenas por causa de sua enxaqueca, pois se descobrisse o motivo, ficaria furioso e jamais deixaria-se tratar.  

A partir do momento em que Breuer começa a tratá-lo, ele descobre coisas incríveis acerca dele e de si próprio. O jovem Freud ajuda Breuer a desvendar a alma de Nietzsche e a manter-se são, uma vez que Breuer sofre por Bertha e inconscientemente, pela vida que leva.

Para ganhar a confiança de Nietzsche, Breuer propõe a ele que o deixe tratá-lo incondicionalmente, enquanto o filósofo ajuda o médico com suas questões emocionais. O que Breuer não esperava era a intensidade e toda a genialidade de Nietzsche em sua vida, o que inicialmente era falso, torna-se irreversivelmente verdadeiro.

O livro nos leva do início ao fim a uma viagem além do âmbito da Psicanálise e da Filosofia: nos empurra ao âmbito da humanidade.

Eu sou suspeita porque adoro todos os temas e personagens envolvidos, mas se você não conhece muito, ou quer conhecer mais, esse livro é o caminho. Não tem volta: uma vez lido, ele vai te marcar para sempre. 

Por coincidência, como todos os livros que resenhei até agora, ele foi adaptado para o cinema. Posso dizer sem medo que a adaptação ficou muito bem feita, uma das melhores que já vi. O filme traz a essência do que o autor quer passar, só perde um pouco dos incríveis diálogos, claro, e a emoção do desenrolar da história. Claro que aconselho o livro, mas taí o trailer, caso te interesse:




Espero que gostem e leiam, é uma história devastadoramente encantadora.


"A verdade é algo medonho" - Friedrich Nietzsche. 




4 comentários:

  1. Olá Nathalia,
    O livro parece ter uma proposta incomum e consequentemente, bem curiosa! Ainda não tive a oportunidade de ler nada do Nietzsche, então acho que se eu fosse ler este que você resenhou, seria bom eu ler sobre o filósofo antes, para ter uma base melhor!

    Beijos,
    Miss Sorrisos Blog

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    Respostas
    1. Pode ler esse sem susto, Manu! Mesmo pra quem não conhece a obra dele, parece um manual: Yalom o introduz de forma bem clara. Mas é claro, se você quiser ler as obras do Nietzsche, sempre agrega! ;)

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  2. Assino embaixo.
    Bela resenha!!

    Assisti ao filme e recomendo também. Acredito que foi o melhor que assisti acerca do tema.

    Parabéns 😤.

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  3. Achei muito interessante, estou utilizando elementos da obra de Nietzsche quando ele citou Direito Penal para acréscimos na faculdade. Excelente resenha, Nathália. ;)

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