10 de abr de 2014

Fanfic - Sobreviventes do Apocalipse - Capítulo 18

Capítulo 18 - Especiais
– Como assim criar seres com o gene da divergência?
A pergunta de Bruno era pertinente. Afinal nunca se passou pela cabeça de alguém de que realmente seria possível criar sinteticamente aquilo que dava imunidade ao vírus chamado de Kroc.
– Lembra-se que eu viajei aos Estados Unidos para verificar a situação no território deles meu amigo? – indagou o “obreiro”, o homem que interligava todas as resistências litorâneas e transmitia mensagens importantes entre elas – Isso aconteceu depois que eu voltei.
– Você foi para os States? – Bianca ficara surpresa à medida que caminhava atrás dos dois.
– Fui, porém isso não vem ao caso – respondeu o jovem baiano – Interagi e ainda ajudei alguns sobreviventes a migrarem, mas o principal motivo para eu ter ido lá era procurar por notícias de laboratórios, os quais ainda funcionassem, para sintetizar artificialmente o gene e produzir divergentes. Isso poderia ser a sobrevivência populacional.
– Mas...
– Só pude averiguar a situação... Thanatos estava eliminando todas as pessoas com o gene. Todas que poderiam auxiliar o país que o acolheu. E isso com a ajuda de grupos de extermínio dentro do próprio território americano. O conceito é diferente por causa justamente que muitos acham que a raça divergente não deveria existir – Vinícius tosse um tanto, talvez nunca se acostumasse com o frio existente no sul – Pessoas acham que eles deveriam ser exterminados. Outras acham que eles são a salvação e os protegem. Tanto é que existem sociedades para a proteção deles lá e foi essa sociedade que conseguiu aniquilar o grupo oposto e expulsar temporariamente Thanatos. A divergente de lá lidera o grupo, mas o cerco dos zumbis por causa da guerra travada entre eles e Thanatos...
– Os enfraqueceram – concluiu Bruno.
Bianca seguia calada. Parecia que os dois tinha um vasto leque de informações a qual ela não detinha. Apesar de sempre ficar atenta aos arredores, pois desde que treinara com o general brasileiro aprendera a ser alerta.
Vinicius então dobrou uma curva desconhecida junto a seu amigo e a garota estranhou. Os dois continuaram sem dizer uma palavra à medida que seguiam caminho desconhecido. Havia alguns guardas, só que as ruas e lugares eram praticamente desertos. Parecia que eles queriam conversar a sós sobre um determinado tema.
– Vini – disse Bruno sentando em um banco no meio de uma praça – Fiz o que você pediu.
– E eu trenei suficientemente para te ajudar, coração.
Bianca completara o raciocínio de seu mestre. Sabia que agora ela estaria pronta para qualquer desafio. Sabia também que fora o soteropolitano a pessoa a qual mexeu no seu sistema de influência para fazer isso.
– Informações, conhecimento, poder... – disse o baiano olhando aos céus, já escurecidos e sem estrelas devido às pesadas nuvens – Nada disso é suficiente quando não se tem as pessoas devidamente treinadas a superar tanto uma ameaça interna quanto externa. Todos sabem que Thanatos quer a aniquilação de uma raça que maltratou o planeta. Muitos concordam com o lunático cujo nome aqui no Brasil é de um tal “Governador”. Se bem que a terra não pode mais ser chamada de Brasil e sim um continente.
A paulista havia entendido o que seu parceiro tinha dito. Com a sociedade em colapso, quanto mais divisões existissem na terra, pior era a situação do planeta. Tudo era uma questão complexa a ser debatida, pois não somente poderia haver a união dos povos como também a segregação racial de cada nação. Europa, Estados Unidos, Austrália... Ter uma identidade nessas horas não existia afinal mo mundo como eles conheciam estava entrando em uma espiral sem fim, onde o fim dessa escada seria o inferno.
Você preferia ficar imortal como um zumbi ou morrer nessa terra desolada sem fazer nada? Morrer fazendo algo seu nome poderia ficar esquecido para sempre, se você morresse tentando sozinho.
Esse pensamento permeou a cabeça da garota. Se ela ajudasse um conhecido como o Vini, será que teria chance de não ser esquecida? Tinha chance de ajudar realmente o planeta em que vivia e treinou forte. Queria ser mais forte, mais inteligente, mais capaz. Treinamento foi árduo. Bruno pessoalmente supervisionou sua ascensão. Pessoas do exército americano que viviam naquela sociedade também a ensinou técnicas. Tudo para torná-la uma combatente superior aos outros. Exigia-se mais de si. Criara rivalidades sadias com o único objetivo de ter um alvo em mente.
Dois meses mudam uma pessoa. E foi assim que Bianca Camolesi, descendentes de Italianos, passou de simples sobrevivente ao acaso a uma combatente feroz...
– Há várias vertentes de pensamento – concluiu Bruno – Inclusive aqui. Há os mais altruístas, que querem aceitações de novas pessoas. Há os pessimistas, os quais dizem que isso aqui não passa de mero descanso porque já estamos condenados e por fim existem os mais ferrenhos. Estes querem que a expansão da cidade pare por aqui. Se até numa pequena sociedade isso já ocorre imagino no mundo que você observou, garoto.
– Como uma amiga minha de Sorocaba disse uma vez – o jovem sentou-se ao lado do general – Se até governar uma casa é difícil, quanto mais pessoas de diferentes pensamentos.
– Garanto que seu irmão tem algo para isso também.
– Obviamente. Costumava dizer que ficava feliz quando o outro discordasse dele, por que isso é democracia na visão dele. Você explana dois pontos de vistas até que através de discussões e debates atinjam um ponto em comum.
– Você fala tanto de Êvanes Ribeiro...
– A inveja dos sábios faz o mundo melhor. Ele costumava dizer isso do Thanatos.
– E como ele conhecia o maluco que tornou o mundo desse jeito? – indagou dessa vez Bianca.
– Os dois foram colegas em Harvard. Um britânico e um brasileiro desenvolveram a chamada supermorfina. Um ativo mais forte que a morfina. Isso acabou chamando a atenção do exército do país e eles passaram a trabalhar para eles. Voltava para ficar um mês com a família e saía de novo – disse Vini fitando os olhos da garota – O governo estadunidense queria que fôssemos morar lá, mas eu estava trabalhando na secretaria do planejamento do meu estado e minha mãe já era idosa para uma viagem dessas. Por isso, excepcionalmente, a ele era dada essa concessão.
– Entendi, mas então ele ajudou a criar o Kroc foi?
– Foi – Vinicius entrelaçou os dedos e inclinou-se – E por isso me vi tentado a consertar o erro dele. Meu irmão sempre foi meio doido.
– Você não é seu irmão...
– Os dois foram os responsáveis. O problema é que Êvanes queria criar os divergentes como forma de combater o Kroc. E eu acho... Que ele injetou algo em mim na ultima vez que o encontrei.
Ele mostrou o pescoço e uma marca de agulha estranha fora vista.
– Eu sou um divergente sintético. E já, antes que pergunte, eu já fiz a maluquice de testar essa teoria.
– Vini...
Nesse momento o alarme soou e o que os pessimistas imaginavam, aconteceu. Como se a Lei de Murphy estivesse atuando, os acontecimentos ruins atrás de outros do mesmo tipo deixavam o baiano cansado. Por que sempre que tentava fazer algo, acontecia o contrário? Bianca ameaçou correr para voltar e ajudar, porém Bruno fora enfático ao dizer.
– Proteja o Vini.
Ela murmurou algo, mas viu o porquê ele disse isso. Uma equipe de doze pessoas desconhecidas apareceu detrás de um homem de cabeça raspada e musculoso. Ao seu lado, uma garota levemente ruiva a qual ela reconheceria de longe, pois no grupo em que se comunicavam antes de tudo acontecer, ela falava pouco, falava somente por áudios gravados. Mas mandar uma foto era essencial. E aquela mulher era nada mais, nada menos que Thallita Santana.
– Olá Vini – o homem passou a mão na sua cabeça e depois ajeitou seu terno – Como estou? Peguei um Armani quando viajei para acabar com uns “especiais” na Itália.
– Thanos... – O garoto somente abaixou a cabeça – Então você estava esperando eu confessar não é?
– Sempre lhe considerei o melhor divergente. Por que o Brasil, um país insignificante aos olhos do mundo, tem oito divergentes? Sempre quis saber. Nos Estados Unidos só havia cinco e na Europa inteira, quatro. Enquanto aqui oito? Sabia que tinha algo errado.
Thanatos andava para um lado e para o outro gesticulando suas mãos.
– Mas oito? Minhas informações...
– Êvanes criou dois, aquele maldito – o homem parou e encarou o casal a quase dez metros de distância – Thallita e a Thayla. Duas garotas. Eu peguei a primeira para treinar, porém ela se mostra rebelde quanto a meus pensamentos. A segunda... Não sei, acho que eu matei.
– Maldito! – gritou Bianca, porém ela se acalmou rapidamente.
– A Thallita me pediu para unir-se a vocês e concederei esse desejo. Não será espiã ou algo do tipo... Por quê? Não preciso de ninguém para te olhar.
Ele tocou no pescoço.
– Você é um divergente por natureza. Êvanes usou seu sangue para editar o vírus e ainda colocou um rastreador em você. O cara é um gênio assim como eu... Agora, Thallita, pode ir.
– Eu ainda te matarei por tudo o que você fez. Além de me fazer de refém e obrigar a eu treinar sobre sua responsabilidade você mata toda minha família! Espere Thanatos, me aguarde.
– Veremos. O único motivo que eu treinei você foi para proteger o irmão do meu gêmeo de consideração. Se você morrer no processo eu não ligarei. E Vini! – ele exclamou antes de se virar – Seu irmão está vivo. Porém ele editou o “Zombie Virus”, como os americanos chamam.
– E o que ele modificou? – disse um cansado e estático Vinicius, surpreso com a sequência de revelações sobre sua própria família. Não tendo nem tempo de comemorar a noticia da sobrevivência de seu irmão.
– Os mortos-vivos agora correm.
E com isso todos os dez homens foram para cima das duas garotas... E o garoto nascido nas vielas de Salvador – a Nova Orleans Brasileira – entendera o porquê de sua situação sempre piorar quando estava se sentindo bem.
***
– Die!
Foi à única sentença dita por Anderson quando chutou Jaqueline para fora de seu carro. Tirara seu sangue por diversas vezes e a abandonou para a morte. Irritado encontrava-se depois de ter perdido um embate contra uma mulher a qual ele já gostara. Mas em nome de sua missão, isso não pode acontecer.
Jaqueline sentia a morte de perto. Não tinha mais forças. Seus olhos fechavam como se nunca mais abrissem novamente. A sensação que sentira quando um demônio em forma de anjo – Anderson a salvara quando fora baleada – voltara a acontecer. Não esperava que o raio caísse duas vezes no mesmo lugar. Sangue já tinha perdido demais com as doações... Só que como era dito em seu grupo. A morte não pediria passagem nesse momento... Carla e Endyell correram em sua direção a fim de salvá-la do desastre iminente que seria a sua morte e o que ocorreria ao grupo, principalmente após a morte de dois integrantes.
As duas carregaram a garota para dentro da igreja a qual servira de base para seus futuros planos. E parecia que a deusa da sorte estava sorrindo e aparecendo para Jaqueline que delirava, talvez por causa de tudo que tinha visto e ouvido. Diziam que quando uma pessoa morre, sete minutos de todas as suas memórias passam em formato de sonho. Outros falavam em que sua vida estivesse por um fio você veria algo inimaginável, e claro ninguém acreditaria, por conta dos seus sonhos. Mas Jaqueline vira uma mulher de cabelos loiros e olhos azuis sorrindo para ela e dizendo para terminar o que ela começou. Seria realmente a deusa da sorte? Será que realmente existia uma deusa desse tipo? Tudo era delírio da mulher que estava enfrentando realmente mais do que um apocalipse de mortos-vivos dados experimentos errados dos supersoldados.
Só que essa aparição lhe dera forças para continuar. E mesmo de olhos fechados murmurou algo mais para si do que para suas amigas e amigos que se encontravam ao seu redor.
– Sobreviverei para mudar nossa história...
Enquanto isso. Lutas incessantes, descobertas intrigantes, sociedades juntando-se. O mundo caminhava para uma transformação que não era lenta, muito menos gradual, e com certeza sem segurança. Só que essa transformação aconteceria para lançar ao planeta as bases de uma nova espécie de governo e distinção...
Apesar de tudo, apesar dos preconceitos... Os humanos iriam mutar assim como o vírus. Se não já estavam.
E a nova raça controlaria o mundo.
A raça da Divergência.
Thanatos sabia disso. E por isso procurava aniquilar todos. Por que, na mão de poucas pessoas encontrava-se o destino de milhares ainda vivos? Isso não poderia existir. Jamais. O mundo não fora feito de um ou de alguns. A Terra em si era de todos. O problema era duas coisas.
Os novos Divergentes e a união destes para derrotá-lo.
Apesar de que... Este último não era tão problema assim. Sorrindo, Thanatos sumiu na escuridão e agora realmente controlaria as ações das sombras...
Será que o mundo sobreviveria? Ou realmente a humanidade estava fadada ao fracasso?
Possuindo essas inquietações, o aclamado vilão sumiu da vida pública com o objetivo de se manter na vida oculta.

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