14 de abr de 2014

Fanfic - Sobreviventes do Apocalipse - Capítulo 20

Capítulo 20 - Surpresas e Destinos
Marcela escutou o alarme soando em todos os pontos da localidade conhecida como “La Fortaleza”. Segundo seus ensinamentos, aquilo somente acontecia quando uma invasão era iminente. Quando zumbis se aproximavam perigosamente no perímetro formado pelos cadetes mais experientes. A garota assustou-se de inicio, porém imediatamente se pôs a ficar a disposição à luta. Observou Cássio correr para a embarcação a qual acabara de aportar à medida que sua amiga Pâmela a acompanhara. Lutariam para manter longe os “famintos” os quais queriam eliminar a raça humana de uma vez por todas.
Adentrando no prédio principal, ambas correram por corredores abarrotados de pessoas que não sabiam o que fazer, de pessoas que pensavam em fugir, de pessoas que somente sentavam a espera do pior e de pessoas que não deram a mínima para o alarme suave que ecoava em toda a localidade. Dobrando alguns corredores e passando por algumas portas, as duas entraram em uma sala repleta de armas e suprimentos.
– Bruno me disse que eu poderia vir aqui quando a situação estivesse crítica – a gaúcha de Viamão simplesmente saiu catando tudo o que poderia levar – Escolha o que deseja e vamos descer para ajudar os outros Pam.
Pâmela pensou no que iria levar e optou por não mudar de estilo. O mesmo com o qual Vinicius dissera que a consagrara. Escolheu uma espécie de bastão. Só que não era qualquer um. Era o que se chamava de bastão seccionado, muito utilizado no oriente e rezam as lendas que um dos unificadores da terra do sol nascente utilizava essa arma como sua escolha principal. Não confiava em nenhum outro estilo. A capixaba não iria inventar nada. Iria se a ter ao que aprendera com o apocalipse erguido através da ganância humana. Já sua amiga encheu uma sacola com diversos tipos de armas: Sais, facões e adagas, pistolas de calibre curto, duas espadas finas e de lâminas leves culminando com um rifle amplamente divulgado mundo afora: o AK-47.
As duas então, armadas, correram de volta ao campo de batalha. Poderiam ser mulheres. Poderiam até serem taxadas de fracas. Só que lutariam como uma leoa lutaria para defender sua raça.
Saíram dos pavilhões e viram algo que nunca sairá de suas mentes tão cedo...
– Zumbis... Eles... – disse um homem incrédulo.
– Não acredito – disse outra mulher com um fuzil em punho.
– ELES ESTÃO CORRENDO!
O desespero tomou conta do exército montado por Bruno Portinari. Os mais audaciosos pularam na linha de frente esquivando-se, dada a correria desenfreada dos humanos a fim de procurar abrigo dentro do pavilhão. Eles começaram a encher os mortos-vivos de tiros e rajadas os quais muitos não ficaram nem para adubo orgânico. O arsenal diversificado e forte da resistência a faria durar contra um ataque intenso daquela horda. Rifles de longo alcance, atiradores treinados, pentes e cartuchos para até três meses de batalha ininterrupta. Mas as modificações feitas pelo gênio da biomedicina dificultavam as ações. A mente por trás do apocalipse parecia ter feito uma cruzada para aniquilar com os seres os quais habitavam a terra. Seus motivos? Muitos, todavia ocultos.
Marcela empunhando seu AK-47 começou a atirar a vários pontos. Tiros certeiros, na cabeça, fazendo muitos caírem inertes e outros tendo sua cabeça estourada. Pâmela usou seu bastão para atingir três mortos-vivos que vinham em sua direção rapidamente, três golpes com um bastão que cobria basicamente todos seus pontos cegos. No terceiro zumbi, a ponta atingiu a cabeça e essa estourou como se fosse um balão. Havia uma fraqueza naquela velocidade. Poderiam matar, poderiam ser cruéis e impiedosos assassinos, mas estavam muito mais fracos. Qualquer impacto em sua cabeça tinha uma alta taxa de fazê-la explodir...
As duas continuaram a lutar junto a seus amigos audaciosos. Eles garantiriam a sobrevivência da espécie custe o que custar.
De longe, uma embarcação desconhecida estava à deriva na lagoa dos patos. Na proa havia um homem de cabelos raspados, forte e com binóculos acompanhando a invasão das novas criaturas criadas por ele...
Ou não...
– Êvanes, você só fez acelerar o efeito da enzima não foi?
– Não. É uma questão lógica. O Krocodil ataca o cérebro. A locomoção é lenta para facilitar a ação dele. Se quiser uma locomoção rápida, ele age rápido, mas o que acontece com o cérebro? Ele frita. E qualquer impacto contundente o fará explodir.
– Então significa dizer que...
– Não mudei nada. Não se acelera o efeito do Kroc, por que ele é bom assim. A falha é tentar fazer algo que ele não pode.
– Compreendi mais ou menos o que você quis dizer – Thanatos jogou os binóculos para um homem localizado próximo a ele – Um vírus faz somente o sistema motor funcionar vagamente. Para ele funcionar mais rápido, ele tem que agir mais rápido, porém isso força a capacidade cerebral, pois assim ela não consegue coexistir com o vírus? Correto?
– Sim. Exatamente.
– Mas porque você ajuda um lado e o outro? Qual seu objetivo?
– Ver o mundo pegar fogo. Sabia que sonhei em lançar uma bomba atômica sobre minha cidade natal? Esse mundo já está perdido e estou auxiliando a nos livramos da escória – disse o jovem rapaz andando para a extremidade da proa – Se lembra da história bíblica de Noé?
– Lembro.
– Deus escolheu Noé a salvar a humanidade junto com algumas pessoas. O dilúvio veio para eliminar quem era impuro deste mundo e recriar um novo...
– Então...
– Sim. Eu me considero um Deus. E os divergentes são os diversos Noés.
– Cujo seu irmão é o guia?
– Não sei. Cabe a ele decidir – Êvanes olhou então para cima e apontou – E também cabe aos outros provarem que realmente querem que esse mundo sobreviva. Afinal, se o bem vence o mal, é agora a hora de provar isso.
***
Em outro canto de Rio Grande, Thallita e Bianca ainda não iniciaram o embate com os homens de Thanatos. Com alguns passos para trás procuraram se posicionar a frente da pessoa conhecida pelo apelido de “Obreiro”. Vinicius se levantou calmamente e olhou para uma horda avançando para o chamado principal foco de resistência da nova capital do outrora estado mais ao sul do Brasil.
– Vini – disse Bianca ficando a sua frente – Quando eu disser para correr corra.
– O que meus amigos de Salvador diriam se eu deixasse uma garota linda como você me proteger? – O jovem retirou seus óculos – Apesar de eu não saber, eu vou lutar. Já está mais do que na hora de eu sujar minhas próprias mãos.
Mesmo sendo um peso morto, Vinicius queria provar a si que poderia. E junto de Thallita e Bianca eles lutariam para crer. Crer que poderiam montar um mundo melhor. Como o idêntico mundo pensado por Êvanes Ribeiro.

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