30 de mai de 2014

Série Brasilidade _ Di Vicktor




Sempre observo quem curte minhas fotos no Instagram, assim encontrei o Di Vicktor, eu tinha que pedir uma entrevista ou não era eu... E ele foi super gentil ao aceitar, confiram abaixo!!! 

1- Como foi seu inicio na literatura?
Como leitor, começou cedo. Minha mãe era uma devota (sem exagero) dos romances Sabrina, Julia, etc. Meu pai viajava muito a trabalho, então acho que minha “mainha” encontrava nos romances um alento (era natural vê-la sorrindo e lacrimejando ao ler). Tentava ler também, mas aquilo eu não entendia muito. Foi então que meu pai mudou de emprego e começou a ficar mais tempo em casa. Logo ele também quis ler e “achou” aquela literatura western (os “cowboys” que ele assim chamava). Virei fã destes livros e ficava esperando ele terminar de ler pra chegar a minha vez.

2- Quando surgiu a ideia de publicar um livro? Alguém te incentivou?
Essa sim é uma pergunta difícil. Sabe aquele garoto que sempre é o imã da turma? Pois bem, eu era o “contador de histórias” da galera, o motivo de risos a fio até altas horas da madrugada, nas antigas ruas calmas de Tobias Barreto. A diferença de agora é que hoje eu escrevo estórias, mas antes eram relatos verdadeiros (tudo bem, tinha um certo exagero nos “causos”). Nós crescemos, criamos famílias e, inevitavelmente, nos afastamos um pouco por causa das rotinas e responsabilidades diárias de cada um. Os encontros foram ficando cada vez mais raros até que surgiu o “boom” do facebook, reaproximando pessoas que, mesmo morando perto, são afastadas pelo cotidiano. Minha cidade mudou muito, se tornou violenta, e como sou meio saudosista, comecei a cogitar escrever sobre a antiga Tobias. Logo que falei para alguns poucos sobre essa ideia, logo se espalhou como um mantra, quase como aquelas correntes chatas do Orkut. O que era um projeto virou logo uma obrigação, e a galera todo dia me cobrava o término deste livro. Então, respondendo a pergunta, praticamente todos os tobienses que conheço me apoiaram.

3- Qual é o papel da sua família acerca de sua carreira como autor?
Eles me apoiam, mas desde que eu não pense em largar tudo. Mas nunca chegaram a demonstrar isso em palavras, pois nem precisam, eles sabem que tenho pés no chão, que nunca passou por minha cabeça qualquer tipo ambição.

4- O Livro “O Mistério de Tobias” está fazendo o sucesso que você esperava? Conte-nos um pouco sobre ele.
Passei nove meses escrevendo este “filho” (feliz coincidência). Em nenhum momento passou por minha cabeça enviá-lo pra alguma editora, e tinha várias justificativas pra isso. A primeira é que este romance, em minha opinião, não é “mercadológico”, pois trata-se de uma estória com personagens, passagens e locais bem peculiares à esta cidade. Provavelmente um leitor que não conhece a vida e obra de Tobias Barreto, e nem conhece esta cidade, não vai ter a mesma reação que muitos tobienses tiveram. Mesmo assim eu recebi pedidos do livro de leitores de quase todos os cantos do país. As críticas foram boas e encorajadoras, e era quase unanimidade a reclamação e sugestão de que o romance fosse mais longo. Então me sinto muito satisfeito e até já começo a pensar numa continuação (“O segredo de Tobias”).

5- Poderia comentar algo sobre “Estradas da Luz”?
“Estradas de Luz” era (ou quem sabe seja) pra ser meu segundo romance. Comecei a escrevê-lo logo depois do lançamento de “O mistério de Tobias”. Trata-se de um romance baseado na vida de vários universitários brasileiros, residentes em cidades que não têm universidades, e que precisam diariamente pegar a estrada para cursar faculdade. Eu passei por essa fase e, conversando um antigo colega de ônibus, surgiu a ideia. Tudo começou com o título, pois nas madrugadas de volta para casa, o único rastro que ficava em nossas cabeças recostadas nas poltronas eram as luzes. Luzes dos postes, das casas, da lua, das estrelas. Serão quatro personagens, no qual fiz um concurso para nomear dois deles. Infelizmente (ou felizmente) uma outra história surgiu na cabeça, e esta me perseguiu por duas semanas inteiras, atrapalhando o enredo que estava escrevendo. Então resolvi deixar ser vencido pela nova estória, e pausei momentaneamente esse projeto.

6- O que é “EXUVIA”?
A bendita EXUVIA! Causadora de insônias e motivo por ter parado de escrever “Estradas de Luz”. Pois bem, estava eu despretensiosamente assistindo TV, quando vi na grade de programação um documentário sobre libélulas. Era domingo, ainda cedo, estava me despertando para começar a escrever (adoro escrever logo após acordar). Programei o documentário e logo o canal muda automaticamente. Mal sabia que aquele momento seria tão importante. O narrador disse uma palavra estranha e que eu nunca tinha escutado. Antes que ele começasse a explicar, pesquisei rapidamente no google do celular. Do latim EXUVIAE, que significa “vestido largado”. E a mágica aconteceu aí, pois imaginei quase toda uma estória neste exato momento. Tanto que não prestei bem atenção no restante do documentário, e precisei esperar mais alguns dias quando ele se repetiu na grade e assisti-lo mais atentamente sobre o ciclo de vida das libélulas. Pensei “e se numa determinada cidade começasse a aparecer corpos e que a população ficasse em pânico imaginando que fosse um serial killer, mas que na realidade fosse uma pessoa/criatura que estivesse mudando de pele? (“ecdise”, de acordo com o documentário)”. Eu nunca me imaginei escrevendo esse tipo de ficção, então um senso de realidade confrontou minha inspiração de fantasia. Resolvi deixar pra lá, tentei esquecer. O problema é que foi em vão. A escrita de “Estradas de Luz” não fluía mais, pois a imagem de uma mulher sombria, praticamente um “metamorfo”, começou a me assustar, entrar nos meus sonhos e tudo mais. Coincidentemente uma libélula adentrou minha residência e eu fiquei encarando-a por um tempo suficiente de achar que aquilo era um sinal. E assim aconteceu, e assim será. O escopo da estória já está definida e agora estou só montando os personagens e outros aspectos que logo divulgarei no meu site e nas redes sociais.

7- Em sua opinião as editoras que estão dando espaço a autores iniciantes? E a que isso se deve?
Confesso que se essa entrevista fosse feita meses atrás, minha resposta iria soar polemica demais, mesmo que não fosse esse o propósito. Hoje eu sou escritor principalmente por ter passado por um processo difícil de politização e socialização. Então, neste sentido, fico ainda um pouco decepcionado com a forma de como se faz literatura aqui no Brasil. Editoras que procuram autores com “mercado” em vez da qualidade literária, escritores que praticamente se prostituem por qualquer método que o faça ser “rentável” às editoras, leitores que se adéquam à esse sistema e, por que não, blogueiros que se tornaram peça chave nesse panorama por difundir o que as editoras querem. Fazendo uma comparação ao futebol, é como um jogador (escritor) ficar submisso aos presidentes de clube (editores), e ter sua imagem ofuscada pelos empresários (alguns blogueiros), agora sob todos os holofotes. E então o que interessa realmente para o torcedor (leitor), que é o jogo (a leitura do livro) em si, fica a mercê das opiniões já pré-concebidas do que é bom ou não.

8- Tem outros projetos literários em mente?
Inúmeros! E parecem ser infinitos. Paralelamente estou ajudando três garotas de 11 anos de idade que querem ser escritoras. Me deram um conto de fantasia urbana que estou editando discutindo ideias pra melhorá-lo. São alunas da escola onde trabalho e, na mesma sala, fiz um projeto que trata-se de um dicionário, uma espécie de glossário infantil, onde palavras como “amor”, “vida”, “mãe”, “Deus” foram sugeridas para estas crianças darem o sentido, um significado só delas. “Um mundo azul e rosinha” é o nome (inspirado no nome da escola, Rosinha Felipe). Tem um projeto de jornal cultura que ainda estou me reunindo com possíveis colaboradores, e outro que visa transformar a vida e obra de Tobias Barreto de Meneses em quadrinho (ou livro infantil), com uma linguagem mais apropriada e resumida, objetivando a propagação da grandeza do nosso patrono.

 9- Gostaria que você deixasse uma mensagem para os atuais e aos futuros leitores.
De um ponto de vista amplo, espero que o brasileiro leia mais e leia tudo que goste. Que não fique preso à modismos e que fuja um pouco do tradicionalismo literário das escolas. De forma restrita, digo-lhes que estou só começando. Ainda tenho a vida toda pela frente, e minha intenção é escrever um livro por ano. Quem sabe eu consiga...

Rapidinhas
Um livro: Lenora
Um autor (a): Heloísa Prieto
Um ator ou atriz:  John Malkovich
Um filme:  Encontrando Forrester
Um dia especial:  19-12-2013 (Lançamento do meu livro)
Um desejo: Posso desejar que os leitores gostem desta entrevista?


(risos da minha parte, pois eu super curtir)

Pós-entrevista>>>> Meu comentário pessoal:
Devo confessar que não sabia da obra, quando estava procurando sobre ela li Tobias Barreto de Menezes deu um estalo na mente (eu precisei fazer um trabalho sobre ele na escola) e disse: Opa!!! Daí fui lendo e vi SERGIPE aí disse: OI?! Como assim SERGIPE?! Preciso realmente voltar mais os olhos para a Prata da Casa.


Resposta:
Fico agradecido e maravilhado por tu ser uma conterrânea. Fico muito animado, pois, mesmo sabendo que nosso país não é de leitores, percebo uma mudança no comportamento dos leitores. Hoje ainda são poucos na sociedade, mas não mais escondidos, encabulados e envergonhados pelo seu hábito “incomum” aos hábitos nacionais. Espero que entenda meus comentários sobre os blogueiros e não tome pra você a crítica. Se pelo menos uma parte desses tivessem a atitude como a sua de valorizar a literatura nacional e seus autores, talvez o quadro fosse diferente e nós escritores não tivéssemos essa imagem de mendigos pedantes e pedintes de mera leitura de sinopses. Obrigado, mais uma vez!



8 comentários:

  1. Excelente entrevista Eli <3
    Beijos
    garotaliterary.blogspot.com.br

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  2. Oiii Eli *-*

    Adorei a entrevista. E Exuvia me instigou, deve ser um livro maravilhoso, pela descrição do autor parece um livro que tu não consegue para de ler.

    Beijos
    http://www.sacudindoaspalavras.com.br/

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  3. Uma entrevista muito interessante. Gostei do seu trabalho. Parabéns. Agora eu gostaria de convidá-lo a conhecer minhas histórias do gênero terror, aventura e fantasia. Estão em outro blog "Crônicas do Outro Mundo", que vc pod encontrar pelo Google, ou através do meu blog principal. Também pode achá-lo digitando meu nome no google. Um abraço e continue com seu belo trabalho.

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  4. Gostei da pergunta 7 pois ele disse, quase que por completo, a ideia que eu tenho desse mercado editorial brasileiro e da 8 por ver que pessoas que tem talento não param.
    Entrevista muito boa, procurarei a obra dele para ler, adoro regionalismos.
    Abraço
    chacomresenha.blogspot.com

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  5. Acho super legal as famílias que incentivam os filhos a lerem desde cedo. A minha será assim *.*
    Bela entrevista :)

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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