20 de mar de 2014

Fanfic - Sobreviventes do Apocalipse - Capítulo 05

Capítulo 05 - Coragem
O homem que seguia a costa para não se perder aportou em um lugar famoso por ter sido imortalizado por Jorge Amado. Ilhéus detinha um porto até de igual importância da capital. Com a estrada que ligava Barreiras a cidade portuária do sul do estado da Bahia, a cidade consolidou-se como uma das maiores do estado e praticamente fazia conurbação com a cidade de Itabuna. O rapaz decidiu parar a fim de ver o restante do vídeo dado por seu amigo no Rio Grande do Norte, visto que informações relevantes poderia haver a respeito de tudo que estava acontecendo.
Era batido como todos sabiam. Tudo começou quando militares norte-americanos pesquisou e descobriu um vírus para criar supersoldados. Um humano capaz de receber tiros de diversas armas e ainda se manter de pé. Para matar, teria que somente acertar um ponto da cabeça ou estourá-la a machadadas. A descoberta bélica trouxe um novo rumo as lutas por hegemonia pelo mundo. Em pouco tempo quase as grandes potências – incluindo o Brasil – passaram a criar e a transformar seus soldados em uma nova espécie variante da humana normal. Para a onde a genialidade humana havia ido. Vinicius Ribeiro só poderia lamentar que seus próprios irmãos e conterrâneos tivessem sido usados a fim de propagar algo que já estava descrito em algo profético.
No dia vinte e um de dezembro, um surto psicótico de um soldado na Coreia do Sul fez um batalhão inteiro vitima de uma espécie de novo “canibalismo”. O vírus transformou-se no corpo humano, exigindo carne fresca em troca de mais força, agilidade e poder. O tecido epitelial começou a envelhecer e os supersoldados começaram a entrar em desespero. O canibalismo ficou exacerbado e na virada do mesmo ano. Todas as instalações militares que abrigavam esta nova raça foram atacadas por um “ser desconhecido”. Porém, para quem sabia, o ser era mais do que conhecido. Os supersoldados tornaram-se mortos-vivos, tornaram-se enviados da entidade chamada “Thanatos”.
Segundo uma declaração enviada aos lideres mundiais, Thanatos dizia que ele artificialmente incitou uma enzima que mudou os componentes da bactéria originária do vírus. Fora o próprio que disse também ter injetado fertilizado por anos diversos cemitérios ao redor do mundo com o único objetivo de testar a eficácia do patógeno. Um teste empírico o qual dera certo quando o vírus reanimou os processos da mecânica do corpo. Não existia coração e nem um cérebro que funcionasse. Só a coordenação motora de caminhar e a ânsia por carne. Seja ela qual for.
O mesmo homem que liberou o vírus que varreu quase toda terra citou também algo chamado como o “gene da divergência”. Alguns organismos multicelulares detinham genes os quais combatiam o patógeno criado para transformar os supersoldados em apenas zumbis. Neles, o vírus iria mutar e viver em simbiose. Divergência porque ia de encontro com todas as enzimas usadas na criação viral. Só que ele disse que somente um décimo da população mundial possuía esse gene e que se quisessem realmente achar a tão falada cura, teriam que mapear novamente o genoma humano com o intuito de descobrir qual é o gene usado para manter as pessoas vivas.
O vídeo terminou falando que somente havia, no Brasil, seis pessoas divergentes e o autor do vídeo concluiu que por conta da sobrevivência em zonas extremas, Júlia, Jaqueline e Vinicius eram três dos seis que detinham esse poder. O homem evidenciou provas que deixara previamente no barco do baiano antes mesmo dos dois se conhecerem... As duas garotas seriam por causa de uma mordida não infeccionada enquanto que o jovem navegador deveria ser por conta da maneira de como ele fugiu da cidade que emanava morte.
O jovem guardou o vídeo e simplesmente tentou contato pelo rádio sem sucesso. Tentou uma, duas, vezes, porém percebeu a inutilidade da ação. Foi então que notou: No cais do porto haviam dois jipes largado as pressas por pessoas que pensaram que nem ele. Como qualquer pessoa entendida sabia, a bateria dos carros eram que faziam os rádios diversos funcionarem. O número de horas que se pode ficar com ele ligado irá depender do tanto de bateria que irá gastar, ou vice-versa. Não sabia física, contudo tentaria de algum jeito se comunicar.
Aproximando-se lentamente, aportou. Desceu no cais e foi lentamente em direção ao carro sem fazer barulho. Procurou sondar se tinha algum morto vivo, mas segundo investigações com bases somente na observação, os zumbis odiavam água. Tanto é que alguns sobreviventes brincavam sobre isso. Retirou a bateria do jipe – uma tristeza por que era uma Range Rover – e correu de volta a seu refúgio. Não queria enfrentar riscos desnecessários e vagarosamente retirou a embarcação do local...
Porém voltou. Ilhéus era uma cidade portuária e realmente ele poderia arranjar um barco ou iate maior que aquele que ele possuía. Sendo assim, ele retirou suas coisas, atracou seu antigo companheiro e seguiu da cidade de carro – sim, a mesma Range Rover – em direção a Abrantes. O lugar onde as pessoas com dinheiro costumavam ir quando se tratava de Bahia. Ele daria um jeito de arranjar algo maior, algo que pudesse romper barreiras pequenas, algo que pudesse caber um carro do tamanho de uma Range Rover. O motivo? Ele pressentia que poderia precisar do carro uma hora ou outra...
***
A noite caía na capital carioca. Jaqueline agora vestia uma jaqueta preta, mantinha os cabelos secos e bem amarrados em um rabo de cavalo. Uma blusa também preta sem mangas e um short jeans junto a um tênis all-star surrado. Elaine e Carla estavam a acompanhando à medida que Endyell ficou para cuidar do restante do grupo. As armas roubadas foram escondidas em uma farmácia localizada na Rua General Caldwell, próxima a entrada da Avenida Mem de Sá. Iam com cautela e com armas brancas na mão. Carla tremia de medo enquanto Elaine não desgrudava de sua amiga. Jaque sentia medo também, todavia pediu a deus que a fornecesse coragem para salvar sua amiga.
– Jaque – disse baixinho, quase sussurrando Elaine – Depois daqui, qual é seu plano? O muro é alto!
– Vamos explodir o muro... Não sei mexer com explosivos, mas acredito que uma explosão é capaz de atrair a horda.
– E a gente? Sabe que nós não somos como você não é? – indagou a gaúcha Carla.
– Eu sei... Mas você tem uma ideia melhor para salvar nossa amiga? Eu não tenho. Se surgir uma, por favor, me diga.
A frase pareceu grossa, mas Carla entendera o recado. Aproximando-se da rua, uma surpresa. Três zumbis caminhavam ao redor da entrada enquanto muitos outros se batiam nos carros abandonados, tropeçavam em suas próprias pernas entre outras ações irracionais tomadas por eles. Queriam as armas, só que teriam que passar pelos mortos-vivos primeiro.
Pegando coragem, Jaque disse dando pequenos pulos.
– Eu vou atrair a atenção deles. Vocês pegam somente os explosivos.
– Mas...
– Lembre-se, eu sou especial lembra?
Jaqueline Saraiva, Vinicius Ribeiro, Marcela da Fontoura e o grupo liderado por Cássio Fernandes estavam próximos a lutar a maior batalha de suas vidas. Não era apenas por sua própria sobrevivência, mas era também pela salvação de seus amigos.

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