21 de mar. de 2014

Fanfic - Sobreviventes do Apocalipse - Capítulo 07

Capítulo 07 - Embates e Fugas
Marcela sabia que para sair de Viamão pela rua em que se localizavam, teriam que andar bastante até a RS-118 ou se quisessem evitar as principais vias teriam que andar até o a junção da Rua José Garibaldi com a Rua General Osório indo na direção da prefeitura da cidade. Bianca que nada conhecia seguia fielmente as direções de sua amiga, ainda que temesse uma coisa: Que a gaúcha de apenas quinze anos ficasse perdida em sua própria cidade.
As garotas caminhavam lentamente. De carro, Viamão ficava a trinta minutos da capital gaúcha. O problema é que nenhuma das duas sabia dirigir e muito menos poderiam pegar um carro e atrair a atenção dos mortos-vivos. Nem se quisessem. Portanto teriam que caminhar bastante e parar diariamente em pousadas seguras ao redor das estradas, isso se conseguissem sair da cidade cercada por “devoradores de cérebros” como Marcela dizia. A paulista – a qual era mais velha – imaginou várias coisas desde sua sobrevivência até um possível encontro com uma pessoa em especial.
Não tinham noção de luta, não tinham sequer conhecimento para a sobrevivência naquele momento. Todavia aquele ditado visto no livro de Sun Tzu o qual diz quando o ser humano abandona qualquer chance sobre a vida, sua chance sobre ela era consideravelmente aumentada. O motivo? As pessoas lutariam com todas as suas forças, o nível de adrenalina sobiria e elas lutavam, pois deteriam a noção que só a morte os espera. Era nisso que Bianca e Marcela acreditavam. Tinham a esperança de encontrar Vinícius no outro lado da lagoa dos patos, porém como chegar lá rapidamente? O homem não avisou quando vinha...
Só que como um presságio divino, algo aconteceu. E elas aproveitaram a única brecha para correr. Correr por suas vidas. Afinal com o zumbi morto eletrocutado e o barulho dos choques e espasmos elétricos chamaram a atenção da leva que se situava nas beiradas da cidade. Tinham a chance e a aproveitariam. O problema era o cansaço e à medida que se aproximavam da rua próxima à via principal que ligava as duas cidades, elas caíram exaustas. Os zumbis com certeza se aproximariam do local, como um animal sedento por uma carne fresca. Lentamente, mas verdadeiramente insaciáveis. Não poderiam ficar ali por muito tempo.
O cansaço não as deixava levantar. A fadiga não as deixava correr. A morte se aproximava cada vez mais das duas. Os espasmos tinham acabado e parte dos que não correram caminhavam na direção delas. Por quê? Não escutaram barulho algum. Estavam paradas, estáticas somente puxando ar... Bianca recordou-se rapidamente do motivo da aproximação lenta e cruel. O porquê os humanos eram presas fáceis quando dormiam ou quando corriam: a respiração. Fazia um curto som, mas o suficiente para que quaisquer mortos-vivos da redondeza caminhassem e aproximassem perigosamente. Esperavam a morte...
Quem estivesse vendo poderia dizer que era um protagonismo exacerbado, mas realmente as duas tiraram a sorte grande pela segunda vez. Um carro surgiu no horizonte. Um não. Vários. Um comboio paramilitar surgiu no inicio da avenida e Bianca só conseguiu tirar forças para gritar e torcer para que eles as vissem.
E eles a viram.
Com uma metralhadora em cima do Jipe utilizado, os zumbis foram rapidamente massacrados enquanto que soldados aparentemente treinados carregaram as duas para dentro do carro. Outros dois encouraçados da frota de automóveis entraram na cidade, talvez para procurar outros sobreviventes. Ambas agradeceram a seus benfeitores e seguiram com eles via abaixo. E para o complemento da situação, eles não estavam indo para Porto Alegre. Estavam indo para a ponta peninsular da Lagoa dos Patos. Eles se dirigiam para a cidade de São José do Norte...
– Obrigado...
– Não agradeça a mim – disse o homem bigodudo de meia idade – agradeça ao seu amigo Vinicius.
– Como assim? – indagou meio ofegante Bianca.
– Ele me contatou da cidade de Abrantes. Pediu para que eu passasse por Viamão porque tinha duas pessoas lá necessitando de nossa ajuda.
– E como você conhece o Vini?
– Ele nos ajudou fornecendo comida e suprimentos quando estávamos em Balneário Camboriú. Sobrevivemos à horda graças às armas encontradas por ele e parte de suas estratégias. Voltou à Bahia por que dizia que lá se sentia melhor e seguro, porém nunca perdemos contato pelo rádio.
– Então vocês são...
– Provavelmente – o bigodudo mexeu em seus cabelos grisalhos – o maior grupo de sobreviventes do sul do país.
Bianca respirou aliviada. Marcela chorava de alegria.
– E ele me pediu outra coisa também.
– O que? – indagou as garotas em tom uníssono.
– Que treinassem vocês. Será duro e pesado, porque parece que ele tem uma espécie de coisa a fazer na região dele. Quando voltar, querem que vocês estejam preparadas.
– Para? – perguntou Marcela ajeitando-se no banco.
– O futuro.
***
Julia ainda estava acorrentada, mas agradeceu por alguns treinos na academia. Os guardas não notaram as correntes enferrujadas nas extremidades e por vezes a garota líder de um grupo o qual continha basicamente crianças puxava a corrente para baixo. A camisola ajudava porque a roupa de tecido leve ajudava a reter o suor apesar da delineação de seu corpo ficar visível. Porém, Juno foi cuidadosa quando a prendeu ali, os oficiais fazendo sua segurança nunca a olhavam, nunca insinuavam nada. Eram praticamente robôs. Se conseguisse se libertar, iria colocar em pratica o que aprendeu nesses dias de caos e desespero.
Escutou uma explosão ao longe. E mais uma. E mais uma. Isso alertou os oficiais e estes temendo uma invasão rapidamente abandonaram seus postos a fim de procurar o motivo do estrondo. A carioca de Volta Redonda tentou se livrar das amarras que a prendiam sem sucesso. No horizonte, na abertura do galpão dentro da cidade criada pelos revolucionários, um homem se aproximava. Ele era forte e alto. Ao se aproximar percebeu que era o homem que servia de braço direito do segundo em comando da garota que conseguira convencer a todos: Franco. Percebera que ele estava com um instinto assassino, emanava isso de seu corpo. Era difícil para Júlia descrever, no entanto, Franco parecia à morte em pessoa.
Atirou uma faca.
Passou raspando o rosto da jovem até atingir um zumbi que entrara por um orifício por trás do galpão. Então ele a libertou e saiu sem dizer uma palavra – não podia, visto que todos sabiam que ele era mudo. A jovem com o gene da divergência correu, só que uma horda vinha em sua direção, porém Franco somente sorriu.
O motivo para ele estar emanando tanto poder era aquilo.
Ele sentia prazer em matar mortos-vivos.
Correndo de volta ao galpão, a líder do grupo o qual Jaqueline participava deparou-se com seu captor. O homem que a quase torturou. Um misto de raiva e medo, porém viu uma garota loira defronte a ele. A luta não durou muito, afinal Jaqueline sabia boxe. Os socos do braço direito de Juno não surtiram efeito e pareciam lentos.
Jab. Jab.
O homem cambaleou e Jaque não deixou ele se recompor. Dois cruzados e um golpe com a parte interna do braço praticamente liquidaram o homem que já estava com um nariz sangrando. Tentou agarrá-la, todavia a garota usou seu jogo de pernas e desviou solenemente. Um movimento de esquiva perfeito para imediatamente socar o rim de seu oponente pelas costas. Podia ser forte, mas Jaqueline sabia os pontos onde atingir. Ele cambaleou para frente e caiu em uma poça de lama.
Quando a loira foi verificar seu estado, ele virou-se e chutou seu estômago. Como dito, ele era forte, tinha pernas grossas e isso era uma vantagem. Quer queira ou não, a potiguar era uma garota de um metro e cinquenta e cinco. E talvez só a perna daquele indígena fosse mais pesada que o corpo inteiro da garota. Após sentir o golpe, Jaque ajoelhou-se e o homem desferiu mais um chute no meio do rosto da garota que caiu desacordada.
– Vadia! Quebrou meu nariz e três costelas!
Só que antes daquele homem fazer alguma coisa. Júlia não pensou duas vezes e correu em direção a aquele homem.
– Ela não te matou... Mas eu o farei!
E no meio de uma invasão causada por Jaque. Júlia teria uma das principais batalhas de sua vida.

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