19 de mar de 2014

Fanfic - Sobreviventes do Apocalipse - Capítulo 02

Capítulo 02 - Viagens e Regras
– Julia e Jaque estão no Rio...
Um homem de camisa havaiana florida e bermuda branca encontrava-se em cima de um barco a poucos metros do cais do porto de Salvador. Diferentemente de muita gente que procurou lutar e embrenhar-se no meio do continente, pensou de forma diferente. Preferiu “pegar emprestado” um barco da Marina e sobreviver à custa dos diversos suprimentos deixados. Poderia viver a base de frutos do mar e água potável, mas o problema era outros nutrientes necessários à sobrevivência.
Por vezes sentia-se vazio, como se fosse à única pessoa viva do continente e então, com seus conhecimentos procurou visitar cidades litorâneas a fim de encontrar – se possível – alguns amigos seus. Voltou a Fortaleza e encontrou a cidade praticamente saqueada e arrasada, porém conseguiu entrar em contato com um grupo de sobreviventes o qual forneceu informação que ele queria: Um garoto chamado Elileudo, após o desaparecimento de seus pais, procurou refúgio. Todavia, após uma chamada desesperada de uma mulher partiu em direção as Minas Gerais. Procurou saber de Anderson, seu outro amigo da cidade... Sem sucesso. Ele não havia procurado aquele séquito de oito pessoas.
Então voltou ao Rio Grande do Norte para encontrar a pessoa que ele chamava de amor. Jaqueline Saraiva. Uma estudante de farmácia a qual poderia estar em qualquer lugar entre Parazinho – uma cidade minúscula no estado pequeno – e a capital das dunas. Foi em Natal que o jovem rapaz passou mais tempo, adquiriu novas armas dada a base militar abandonada na cidade e abasteceu seu barco médio com roupas e acessórios os quais poderiam ser utilizados a troca.
Conhecendo a cidade, se pôs a tentar achar qualquer notícia sobre a loira que sempre lhe fazia sorrir nas conversas de celulares. Estes estavam com os sinais incompletos e mal se fazia ligação, além de seu celular estar sempre descarregado. Mal conseguia arranjar um posto com energia e não entendia o bastante de física para fazer um celular pegar sem bateria utilizando somente fios descamados.
Foi quando visitou Genipabu. A famosa praia de Natal. Lá ele de alguma forma encontrou vestígios de que uma garota de cabelos cujas pontas eram verdes passou pela região antes do fatídico dia. Conversando com o único habitante vivo do local, ele descreveu tudo o que acontecera no dia apocalíptico e o registro deste nunca mais saiu de sua memória...
Atacados por uma horda de mortos-vivos, o homem preferiu se sacrificar por aquele jovem por dois motivos. Segundo ele, o homem de meia idade e barba por fazer via que ele poderia ajudar as pessoas com seu barco e segundo, a coleta de informações – de amigos, sobreviventes e grupos – poderia vir a ser útil no futuro. O nome do jovem salvo? Vinícius Ribeiro.
Vinícius correu a seu barco sabendo da nova localização de seu grupo de amigos. Segundo o homem, a garota – de nome Júlia, o qual ele disse lembrar vagamente a Paulinha do antigo BBB, por causa do peso e da malhação diária – levou Jaqueline embora depois do massacre do grupo. Ele deu uma filmadora e pediu para que ele visse somente quando estivesse em segurança. Ali detinha todas suas experiências e o que realmente aconteceu no estado do Rio Grande do Norte no surto viral. No surto do renascimento dos mortos vivos.
Parou em Salvador para reencontrar-se consigo mesmo e ver o vídeo falado por seu amigo do estado mais a oriente localizado no Brasil. Logo no inicio foi citado que uma jovem chamada Marcela da Fontoura estava com dificuldades no sul do Brasil e tentara comunicação de emergência. O problema? Ele conhecia a garota. E sem ver todo o vídeo dirigiu seu barco recheado de suprimentos ao sul do país.
***
Julia fora amarrada a uma corda e presa como um cachorro violento. Suas mãos e pernas foram afastadas e um “X” com seu corpo fora formado. Ao redor seis homens encapuzados seguravam diversas armas desde soqueiras até cassetetes policiais, facas afiadas e raquetes de madeira para o frescobol. O primeiro homem perguntou a garota que somente estava de camisola.
– Onde está as armas que eu consegui? Não pense que por você ser divergente vai conseguir algo conosco.
– Você nunca...
Um soco foi desferido no rosto machucado da jovem.
– Eu disse para responder com seriedade. As armas foram roubadas por você, sua amiga loira e um grupo. Para que foram usadas?
– Para salvar crianças de uma horda – respondeu a garota de cabelos com as pontas verdes cuspindo sangue no chão.
– Você sacrificou meu investimento para salvar crianças! Sua insolente!
Ele socou mais uma vez a garota, desta vez a barriga.
– Somos... o... futuro...
– De nada! Franco!
Um homem de estatura alta e que parecia duas vezes maior que era aproximou-se com uma faca.
– Grite! Peça ajuda! Faça de tudo! Mas saiba de uma coisa... Ninguém virá lhe salvar.
Pegando fôlego, ela arfou profundamente e cuspiu na cara daquele que parecia ser o líder.
– Não estou aqui para ser salva! – disse ofegantemente tentando recompor-se do último golpe dado – Eu estou aqui para salvar! Não deveríamos lutar! Deveríamos!
O homem retirou a venda suja. Tinha cabelos grandes e lisos – lembrava um indígena. Forte, dividido, incisivo. Abaixou-se e passou a faca afiada levemente em suas coxas desnudas.
– Eu irei fazer coisas muito piores a você.
– Só reze.
– Para que?
– Se eu for salva, eu darei você para os zumbis que você tanto ama...
Jaqueline fora salva por Júlia duas vezes. E agora a última estava em poder dos rebeldes que queriam criar um novo Brasil separando os mortos-vivos dos humanos. Muros altos foram criados, pistas de pouso – dada a presença de traficantes, prostitutas e outras pessoas da pior espécie – acionadas. O líder queria sacrificar crianças. Júlia e Jaqueline no embrião daquela nova sociedade não deixariam aquilo acontecer. Sacrificar pequenos para salvar pessoas que poderiam lutar. Isso era inumano. A garota que morava no Rio pensou nos seus irmãos. Jaqueline também se recordou de sua família. Não deixariam aquilo acontecer e com sua facção roubou armas e suprimentos e tentaram fugir com os garotos a um lugar seguro. Julia ficou para trás e lutou bravamente para que Jaque – como era conhecida – pudesse escapar.
Salva duas vezes a garota loira de farmácia decidiu. Não deixaria sua amiga para trás, mas qual o melhor jeito de lutar contra os zumbis que se aproximavam cada vez mais da zona segura e contra humanos que eram tão piores quanto à raça que estava os exterminando?

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