21 de mar de 2014

Fanfic - Sobreviventes do Apocalipse - Capítulo 06

Capítulo 06 - A morte pede passagem
A ponte era íngreme. Tinha apenas uma mão para ir e outra para voltar. Um engarrafamento poderia ser algo corriqueiro e ainda mais quando carros comuns encontravam-se espalhados pelo meio da pista. Qualquer toque pode ser fatal. Cássio sabia disso e esperava por um momento certo. Talvez implodir a ponte fosse o melhor caso, mas isso somente o isolaria do continente. Barcos não existiam e por isso o único método era trazer todos os zumbis – ou mortos-vivos – que se localizavam na chamada Avenida Desembargador Alfredo Cabral para a Ilha do Frade. A única metralhadora seria o trunfo da equipe formada por uma guerreira apesar da pouca idade e de um cara hilário, contudo na hora da ação ele lutava como um cão feroz.
Pâmela continuava a vislumbrar os preparativos de seu querido amigo, possivelmente algo mais. Cláudio coçava suas regiões intimas, pois estava incomodado com a calça jeans que vestia. Reparou que no inicio da ligação entre a capital capixaba e a ilha, a ponte era margeada por árvores para depois sim ser separada por uma pequena mureta – em algumas partes nem isso tinha. Isso o fazia suar frio e respirar fundo. Um erro e ele cairia na água. O medo lhe acometia. O fazia ficar ligado. Cair na água era sinônimo de morte, visto que não sabia nadar. A tensão era cada vez mais forte.
A única garota da equipe manuseava seu bastão. Uma arma branca pontuda dada por Cássio a fim de que não gastasse munição, algo raro. Acharam alguns revolveres espalhados pelos corpos inanimados de policiais e algumas espingardas e escopetas quando invadiram as diversas sedes da polícia. Responsabilidade do mais velho dos três, o paraense fez questão de fazer armas ou procurar por alguma coisa para atacar os mortos vivos sem fazer muito ruído. Ele mesmo utilizava um bastão de golfe. Cláudio usava dois cassetetes policiais, enquanto não achava sua preciosa arma: A Katana.
Para um trio sobreviveram bem até aquele presente momento. Somente que agora seria a hora da verdade. Cássio posicionou a metralhadora em uma das diversas arvores e pediu para que Pâmela ficasse na margem esquerda enquanto Cláudio na direita. Quando seu relógio bateu meia noite. Quando a Lua atingiu seu maior esplendor. Quando a hora da ação chegou ninguém poderia voltar atrás. Tinham que sair dali e tentar procurar um meio de ir ao Rio encontrar-se com seus amigos.
Cássio deu dois tiros para cima e, num piscar de olhos, zumbis já vinham em sua direção. Continuou a atirar agora na direção dos mesmos na medida em que criou uma situação a fuga do casal de amigos. Recarregando rapidamente, o mais velho da equipe continuou a se afastar e a oportunidade para a fuga surgiu quando a primeira leva toda atravessou a ponte e foi à procura do homem das armas. Cláudio pulou na frente correndo e deslizando entre os carros, Pâmela seguiu logo atrás desviando e mantendo seu bastão colado ao corpo a fim de que este não chocasse com algum vidro e fizesse um barulho desnecessário.
Na frente, a segunda leva demorou a percebe os passos de Cláudio que para impressionar pulou em cima dos capôs dos carros e desferia golpes certeiros na cabeça dos mortos-vivos do meio para trás da ponte. Carros ficaram mais escassos e Pâmela passou a correr com o bastão a frente de seu corpo. O problema que quase fez a garota chorar de raiva foi que os capôs dos carros ecoavam certo barulho e isso chamou a atenção, afinal o alcance do som dos tiros da metralhadora era abafado pelo estampido do chassi amassando e desamassando. O garoto de Aracruz poderia ser esperto, mas nesse momento fez algo impensado.
Os dois tiveram que lutar ferozmente. A jovem tinha certa habilidade: deu uma estocada com a ponta do bastão na cabeça de um morto-vivo e agitando sua arma aos lados acertou dois, lançando-os na água. Seu amigo era mais lento, todavia a potência e habilidade com os cassetetes eram primorosas. Giros com as armas, golpes desferidos diagonalmente, socos com a ponta da arma, Cláudio era um bom lutador apesar da exibição.
O outro membro da equipe prendeu a metralhadora em um canto da ilha com o gatilho preso. As balas iriam acabar, portanto ele sacou a escopeta. O plano era no momento que seus amigos chegassem do outro lado da ilha, eles causassem uma comoção tão grande que atrairia a atenção dos zumbis. O rapaz das armas, o paraense Cássio Fernandes não economizaria nas balas que tinha. Agora era a hora de gastar e caminhando para frente, unido os grandes barulhos das armas ele passou a parecer um exterminador. Não se preocupava em tentar recarregar a escopeta quando ela ficava sem munição, devido ao tempo demandado.
Com dificuldades e certo cansaço, ambos os amigos chegaram ao outro lado da Ilha do Frade...
– Cláudio... As granadas estão com você?
– Sim. – respondeu ele retirando de seu bolso uma granada.
– Agora procure um posto e mande tudo pelos ares. Eu voltarei para a ilha.
– Mas agora voltar é suicídio!
– Não deixarei o Cássio, Covinhas! – exclamou Pâmela – Agora faz o que eu to mandando e explode essa cidade... Só assim eu e ele sobreviveremos à horda!
A adolescente voltou com seu bastão em punho. Poderia estar cansada, mas não deixaria a pessoa que veio de tão longe a resgatá-la. Não escutou as últimas palavras de Cláudio enquanto ia de encontro à terceira leva dos mortos-vivos que não acabavam mais...
***
Marcela e Bianca renovaram as esperanças. Vinicius estava descendo e poderia estar em Porto Alegre a qualquer momento – segundo suas previsões – mas para encontrá-lo teriam que sair de Viamão.
– Como o Vini quer que a gente saia daqui? Não tem como.
– Pelo jeito que ele disse talvez algo aconteça na cidade a qualquer momento – Bianca refletiu procurando nas gavetas algum objeto contundente – Vamos ter que sair assim mesmo.
– Teremos que Divar então, por que né?
Marcela estava incomodada com a missão suicida dada por seu amigo baiano o qual chamava carinhosamente de “Cafetão” devido a seu jeito de ser.
– Claro. Não foi assim que o grupo foi criado?
As duas então saíram da casa com pequenas mochilas com roupas de frio. Iriam pensar no calor da batalha no que fazer. Não eram muito de fazer planos e por isso saíram na cara e na coragem...
***
Na casa cujo Salmo 91 estava grudado a porta Elileudo e Isadora encontraram uma garota de cabelos lisos, presos e levemente morena...
– Thallita?
Reconheceram de longe a garota natural de Montes Claros ao norte de Minas.
– Eli? Isa? O que estão fazendo aqui?
A cara de Thallita não era de alívio, era de medo. O jovem rapidamente percebeu o que estava acontecendo, mas era tarde demais. O cearense foi abatido por trás e quando Isadora virou sua arma ao atacante, este desferiu um chute na região do seu estômago jogando a alta garota a um canto. A arma caíra debaixo de um criado mudo...
– Thallita... Sua hora chegou.
– Thanatos...
Isadora não reconheceu o nome, porém tentou levantar imediatamente. Porém não conseguiu, porque o homem de quase dois metros de altura e praticamente cem quilos de massa a pegou pelo pescoço e a jogou ladeira abaixo. Além disso, sacou uma pistola e atirou no ultimo carro da rua – este tinha alarme. Ele deixaria a garota mineira a mercê da horda. Elileudo continuava desacordado enquanto a conterrânea de Isa – apelido de Isadora – tremera de medo.
– A morte chegou.

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