11 de mar de 2014

O cão e o lobo - Fábula de Esopo

Hey pessoal, então, hoje, tive na faculdade aula de cultura religiosa (sim, faço engenharia de computação e tenho aula de cultura religiosa ¬¬) e o professor passou um texto bastante interessante sobre a liberdade, então, quis passa-lo para frente e compartilha-lo aqui com vocês, realmente vale a pena ler!



" Há tempos atrás, li esta fábula de Esopo muito interessante, na qual certo lobo, cansado da luta que travava diariamente pela sobrevivência diária, encontrou numa bela casa um gordo cão que ali morava e os dois puseram-se a conversar. O lobo contou-lhe suas agruras: a caça difícil, a perseguição dos caçadores, a desproteção nas intempéries... Por sua vez, o cão expôs a vida boa e regalada que levava: sua casinha, comida e água diariamente sem precisar caçar, pêlo escovado e até afagos. Tudo isso em troca de latir para os estranhos e jamais deixar alguém invadir o seu território. O lobo estava convencido de que a vida de cão de guarda era ótima, quando percebeu uma coleira no pescoço do companheiro que o mantinha preso a uma corrente.O cão explicou-lhe que seus donos nunca permitiam que ele saísse do quintal ou tivesse outras amizades mas tudo isso compensava pelos benefícios de que usufruía. O lobo mais que depressa despediu-lhe do cão, dizendo-lhe que preferia a fome com liberdade à fartura sem ela. Gosto de fábulas, pois sempre trazem uma aplicação prática ou uma reflexão sobre a vida. Devo confessar (não sem certa dose de vergonha) que quando li esta, não identifiquei-me logo com o lobo; se tivesse que escolher, preferiria a vida do cão. Porém uma parte dentro de mim sabia que o lobo é que estava certo. Ora, o que acontecia, então? Por que não virava as costas ao cão, justamente com o lobo, e entrava para a floresta, com seus mistérios, aventuras, perigos, fracassos, medo, fome, mas com LIBERDADE? Comecei a refletir e pude perceber que eu não era a única que escolheria o cão. O cão não tem a liberdade, mas tem um apelo que, nos dias de hoje é muitas vezes mais forte: a SEGURANÇA. É assim que muitos de nós vivemos: a segurança de nossa casa de classe média, em nosso carro de classe média, em nosso médio emprego, um salário médio, se a saúde não é "de ponta", é que média, em nosso ensino mediano, acreditando que tudo esta bem, e se não esta para todos, bem... pelo menos não estamos piores, estamos na média. É... parece que em tempos de crise, a LIBERDADE fica fraca de argumentos, ou o que é pior, conta com pouquíssimos "lobos" que a defendam. 
   Luiz Felipe d'Avila disse que, em meio às crises institucionais, como por exemplo, a da justiça, da política, da economia, "cresce o número de adeptos dos partidos radicais, o renascimento dos discursos nacionalistas e autoritários, a admiração por "homens fortes"  que prometem garantir a ordem - mesmo se for necessário passar por cima das leis e das instituições -..., ou seja, alguém tem que nos assegurar de que não passaremos fome, ainda que custe a nossa liberdade. Entretanto, sabemos que o lobo consegue sobreviver em meio às crises. E qual seria o destino do cão se fosse abandonado pelos seus donos? A voz dentro de mim ainda diz: "o lobo é que está certo...". Com certeza há muitas pessoas que proficientemente refletiram sobre as virtudes da liberdade e da verdade e demonstraram que tal risco deve ser enfrentado. É mister ouvi-las. Refletimos. E, mesmo que a decisão de seguir com o lobo não sejam a primeira, que ela seja a mais consciente. "

Texto por:  Kerllen R. C. Bonome - 31 de julho de 1999.

Enfim, reflitam... ;)

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