26 de mar de 2014

Fanfic - Sobreviventes do Apocalipse - Capítulo 10

Capítulo 10 - Um inimigo a espreita 
– Conseguimos.
Foi o que uma garota de belas curvas e um sotaque gaúcho disse ao baiano que arranjara um iate na costa de Ilhéus. Eles se encontraram quando ele reconheceu a alta garota na divisa entre os estados da Bahia e Espírito Santo. Logo ele a recrutou e a pôs para navegar, pois necessitaria de uma mão no final das contas. O nome dela? Vitória Freitas.
Vitória havia sido deixada por seus pais em uma viagem ao Rio de Janeiro junto a Carla e a Endyell. Só que as garotas perderam contato umas das outras no exato momento que uma horda inteira vinda do centro do país massacrou o litoral. Correndo pela sua sobrevivência somente com uma mochila de roupas, a bela morena subiu para as cidades mais ao norte onde encontrou um grupo de resistência. Lá treinou, lutou contra a onda da morte que se aproximava cada vez mais, porém se viu a subir ainda mais o Brasil quando todos seus companheiros sucumbiram. Seu caminho fora solitário e sobrevivera basicamente de alimentos estragados postos nos supermercados antes do apocalipse. Viu a miséria. Comeu o pão que o diabo amassou. Tudo isso para sobreviver e quiçá encontrar alguém para pelo menos ter com quem conversar.
A mulher de um metro e setenta e três chegou a Ilhéus um mês após a morte de seus amigos. Sozinha, perguntou se ficaria maluca, como aqueles presos que ficam na solitária. Como no filme “Náufrago”. Ainda descabelada deparou-se então com um Vinícius transferindo algumas coisas para o Iate recém-conquistado por ele. Munição, alimentos, tudo o que tinha direito. E por causa disso, retirando todas as forças que tinha, correu em sua direção. O baiano, a primeira vez, pensou que ela era uma morta-viva, contudo reconhecera o rosto e corpo da garota. Vitória participava de um grupo o qual Vinicius era membro e destes, ela era a que mandava mais fotos de si.
O jovem nascido em Salvador não pestanejou em colocar ela na embarcação. De banho tomado e vestida com uma blusa simples, porém curta e uma calça justa jeans atrelado a um tênis surrado, ela passou a conversar com ele. Primeiro humano que ela via em meses. Claro que ela falaria até os ventos, ainda que Vinicius fosse uma pessoa que gostava mais de escutar do que de falar. Isso, tendo em vista que o soteropolitano falava mais rápido que seu pensamento e por isso por vezes embolava a fala.
– Vini! Graças a deus você apareceu! – disse Vitoria surgindo na popa e descendo para ajudá-lo a carregar as coisas.
– De nada linda – o jovem de vinte e um anos nunca deixara de ser gentil com qualquer pessoa – Não vou lhe perguntar o que fez para sobreviver. Só me ajude com essas caixas. Precisamos descer para o Espírito Santo em questão de horas.
– Por quê? - indagou colocando uma leve mochila de roupas em cima do barco.
– Uma hora você saberá. E na hora certa, você dirá conseguimos.
– Não entendo charadas Vini... Sou lerda.
O jovem levou à mão a cabeça enquanto ria. Vitoria continuava a abastecer o grande iate. Não falaram mais nada por algumas horas, focando apenas da velocidade de encontro dos diversos suprimentos. Sozinho, Vini duraria dias para abastecer algo que levou apenas duas horas. Para uma pessoa a beira da loucura, a bela gaúcha comportou-se bem e não desandou a falar. Talvez em respeito a seu benfeitor. Talvez com a consciência de que teria que se calar até realmente estar em segurança... Só que internamente ela fez uma promessa: Ajudar seu patrono em qualquer dificuldade. Tudo o que aprendera durante a vida no apocalipse iria utilizar naquele momento. Detinha o conhecimento de que ele ainda procurava por Jaqueline, afinal o mesmo tinha dito entre uma frase solta e outra durante o carregamento. Porém se importou mais em ajudar. Em estar ali. E não sairia mais.
– Sobre meu enigma – disse quando embarcou uma grande quantidade de armas e, por fim, uma enorme caixa de som e aparelhos musicais – Vamos salvar algumas pessoas em Vitória.
– Eu vim de lá, Vini. Não tem ninguém, tive que subir pra cá se quisesse sobreviver – disse ela se inclinando no painel de controle do navio.
– Digamos que você não passou pelo litoral – o soteropolitano, formado em Economia iniciou o processo de movimento do iate – Lá tem gente lutando por sua própria sobrevivência.
– E como você sabe?
– Por que um ser superior me disse.
– Já disse para não usar de ironias Vini... Sou lerda.
– Digamos que alguém me disse.
– Quem seria essa pessoa?
– Você gostaria de conhecer o mensageiro da morte? – a voz do baiano mudou. Respondeu seriamente ao invés de sorrir como sempre fazia antes de uma resolução.
– Sim.
O baiano se surpreendeu e ela continuou
– Se ele ameaçar meus amigos, eu quero ter um encontro com esse mensageiro da morte.
E assim a dupla partira de Ilhéus para a Ilha do Frade. O tempo foi estimado em seis horas e com a lua como testemunha de uma aliança que faria até mesmo o mais forte dos inimigos tremerem. Uma sobrevivente com um divergente. Uma guerreira por sobreviver sozinha por muito tempo, que não sucumbiu à loucura – apesar dos demônios imersos e confusos de sua mente – com um exímio estrategista o qual tinha um passado obscuro. Ambos iriam mexer as bases das resistências brasileiras...
***
Elaine e Carla corriam desesperadamente para fugir de Zumbis que estavam em seu encalço. Dobraram várias esquinas, todavia a cada pisada no chão uma poça de água estava presente. Os tênis molhados, a roupa pesando... Tudo contribuía a um alcance rápido da horda que as seguiam. Carla se ofereceu a ficar e dar um tempo para a catarinense fugir, somente desistindo da ideia quando percebera que era inútil lutar em um local aberto com uma possibilidade de ser pega por todos os lados. Por sua vez a ruiva seguidora de Jaqueline e Júlia dirigiu-se a uma intersecção desconhecida por ela. Procurava voltar à farmácia das armas e dali fazer um forte. A ideia seria razoável se ela soubesse como atirar.
– Nani! Calma mulher! Não se distancie de mim! – Carla teve que gritar a fim de chamar a atenção de sua amiga já distante. Gritos num momento como aquele era fatal – Fique perto!
Só que Elaine não ouviu. A chuva apertou fortemente e o barulho fez parte dos mortos-vivos recuarem. Moradora da cidade de Pelotas antes do apocalipse atingir o mundo, a jovem com o sobrenome de uma capital tentou apertar o passo.
A garota sumira de sua visão. Não poderia deixar ela perdida numa cidade onde zumbis poderiam estar a qualquer lado e atacar a qualquer momento. Por este motivo e pelo lema de nunca abandonar um companheiro quando ele estiver em dificuldade, Carla manteve sua procura ainda da baixa visibilidade.
Em um prédio, Carol Ramos segurava a garota contra a parede. A jovem que saíra do campo de visão de sua amiga encontrava-se defronte a Anderson Morais. Antes de qualquer grito, ele socou sua barriga fortemente fazendo-a curvar-se e ajoelhar-se no chão após sua parceira a soltar.
– Elaine! Quanto tempo? Diria eu – Anderson utilizou um tom sarcástico na voz – Alguns meses?
– Dan...
Era o apelido do homem. Eles já se conheciam anteriormente: ambos participavam do mesmo grupo que Vitória e Vinicius estavam.
– Não precisa dizer nada agora...
E mais um soco. Esse no rosto para fazê-la desmaiar. O impacto foi tão forte que Carol chegou a virar o rosto quando o murro de Anderson atingiu a face de Elaine. Quando esta última caiu, ele somente disse.
– Usaremos ela para chegar nas duas divergentes.
– E o que faremos com o Vinicius e seu resgate no Espírito Santo?
– Ele não vai conseguir colocar os três no barco.
– Você mandou quem?
– O mais forte de nossos amigos. E isso vai me dar tempo suficiente para capturar às duas que estão aqui.
– Quem é mais forte da nossa facção?
– Vai saber na hora – disse Anderson carregando a garota caída – Agora vamos, antes que os mortos-vivos atinjam nossa porta e nos matem por não termos o gene da divergência.
Os dois caminharam para um Hummer H3 que se encontrava estacionado na esquina. Subiriam a serra de carro, e com isso atrairiam a atenção indesejada. Mas o Hummer era um bunker vivo e com rodas, e isso Anderson gostava mais do que capturar pessoas
Ele amava matar zumbis.

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